
AMO-TE VINHA
Segundo Inês Beatriz foi o carinho que o pai, Manuel Beatriz, ganhou pela vinha, o apego à terra, a vontade de produzir cada vez melhor vinho desde que comprou a propiedade nos anos 80 e deixou de lado o negócio da construção civil, que acabou por envolver emocionalmente e profissionalmente a família naquilo que é hoje a Quinta de Catralvos, em Azeitão. Inês Beatriz tirou o curso de Gestão, mas foi sempre apostando no marketing em cadeiras opcionais durante o curso. Hoje é a grande responsável por aquele que promete tornar-se um tremendo sucesso: o vinho 'Amo-te'. A Quinta, de 25 ha, tem uma história curiosa. Foi comprada com uma apenas pequena vinha velha e uma casa em ruínas, era um lugar conhecido como Quinta de Catraios, mas devido a um erro de leitura nos serviços de registo acabou por ser rebaptizada como Quinta de Catralvos. É um investimento 'em força' no enoturismo, aliando a produção de vinhos ao alojamento, restaurante gourmet, cursos de cozinha, loja de vinhos e um cenário idílico. Os vinhos são comercializados sob a assinatura 'Tojo'.

''Amo-te' é o despertar dos sentidos de quem o prova; é dedicado aos apaixonados' e é o novo vinho da Quinta de Catralvos, propriedade da Sociedade Agrícola Casal do Tojo, que promete aquecer o coração de tantos apaixonados pelo vinho e pela vida. Situada em Azeitão, no sopé da Serra da Arrábida, a Quinta de Catralvos possui 25 ha de vinha e integra um projecto de enoturismo. Restaurante gourmet, serviços de banqueting, cursos de cozinha, alojamento (cinco quartos) e a produção de vinhos sob a chancela 'Tojo'. 'Amo-te' é o vinho que ainda aguarda desgustação, mas que tem inquietado desde apreciadores veteranos a novatos curiosos.
Qual a melhor forma de dizer a alguém que o ama senão através de um vinho 'de cor intensa, aromas doces, sabor envolvente e texturas aveludadas, fruto de um encontro perfeito entre as castas Aragonês, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Syrah? Assim se apresenta o mais recente lançamento da Quinta de Catralvos, engarrafado a 14 de Novembro de 2005 e que no, agora já tradicional, 'dia do amor', o dia de S. Valentim, se apresta a ser degustado. 'Pedi, por graça, que fosse engarrafado a 14 de Novembro para fazer três meses de estágio dia 14 de Fevereiro, mas é óbvio que já o bebi, que está óptimo e não faz diferença uma semana antes ou depois', revela Inês Beatriz, filha do proprietário da Quinta, Manuel Beatriz, e a principal impulsionadora da ideia do vinho 'Amo-te'. 'Tirei o curso de Gestão, mas fui optando, ao longo do curso, por algumas cadeiras mais ligadas à área comercial. Não faço propriamente estudos de mercado, tento estar atenta e alerta.Quando pensei no 'Amo-te', fi-lo independentemente do vinho e depois quis pôr um bom vinho na garrafa, mas quem compra o 'Amo-te' não está a pensar se o vinho é bom ou mau, está a pensar a quem vai oferecê-lo ou com quem vai bebê-lo. 'Amo-te' era para mim uma substituição a um ramo de flores, a um cartão ou a chocolates. A minha intenção era a pessoa comprar o vinho para transmitir uma mensagem, tendo depois, ainda por cima, o prazer de beber um bom vinho.'
Inês Beatriz achou que sua ideia do 'Amo-te' se enquadrava perfeitamente numa marca de vinho. 'Faz muito sentido no vinho porque quer o amor, a paixão, o estado de amar, fazem despertar os sentidos. Quando uma pessoa se apaixona há um despertar de sentidos e vejo o vinho precisamente como algo que também os desperta. Quem bebe o vinho vê, cheira, sente se está quente ou frio, saboreia se tem taninos... A marca 'Amo-te' vai muito bem com uma garrafa de vinho.
Quando falei com o enólogo sobre o 'Amo-te', pedi justamente que não fosse um vinho muito complexo, que saiba bem à maioria das pessoas, de certa forma um vinho fácil, mas tecnicamente bem feito porque acho que há vinhos bem e mal feitos. O vinho está bem conseguido e desperta, de facto, os sentidos.Depois o vinho também é uma forma de partilha como o amor.'
Todos os anos será lançada uma edição do 'Amo-te'. A colheita 2004 do 'Amo-te' é de 32 mil garrafas, mas a de 2005 pode ser a dobrar ou a triplicar, segundo Inês Beatriz. 'Queremos que seja um produto diferente no mercado. Todos os anos o rótulo vai mudar. Além de tentar internacionalizar mais a marca, tendo a palavra 'amo-te' em português, mas também traduzida noutros idiomas, presente de forma mais discreta no rótulo, vou promover anualmente um concurso de design para o desenho do rótulo. Haverá oportunidade para estudantes finalistas de design concorrerem. Actualmente quem desenhou o rótulo do 'Amo-te' foi o atelier de design 'A3+' e que, aliás, cria todos os nossos rótulos.'
'A QUALIDADE COMEÇA NAS UVAS'
A produção da Quinta é actualmente de 700 mil litros por ano e os proprietários fazem questão de produzir vinho apenas com uvas próprias. 'Era algo que tínhamos assente desde o início do projecto. Queríamos fazer algo com muita qualidade quer nos vinhos quer no restaurante, organização de eventos ou alojamento. A nossa política e estratégia assentam na qualidade e é difícil controlar a qualidade quando deixamos de ser nós a produzir as nossas próprias uvas, não quer dizer que seja impossível porque podemos ter dois ou três produtores de total confiança a quem recorremos. A qualidade começa nas uvas, aliás costuma-se dizer que desde que as uvas sejam boas e a adega não as estrague, o vinho é óptimo. 700 mil litros ainda ainda é bastante vinho e não quer dizer que não tenhamos que produzir mais e isso não possa acontecer. Então podemos pensar em adquirir mais vinhas ou juntar-nos a fornecedores com os quais temos uma relação muito estreita para poder controlar ao longo do ano a evolução das uvas.'

A Quinta de Catralvos exporta muito para os Estados Unidos que é o maior cliente a nível geral. Começa a exportar para Angola, também vende para Inglaterra e está em contacto com a China e o Japão. 'Foram os clientes chineses que nos contactaram porque provaram o vinho que criámos para o mercado de exportação, o 'Lisa'. O rótulo do 'Lisa' é ilustrado com um quadro da Mona Lisa do pintor José de Guimarães. Esse quadro pertence à nossa família e como o meu pai é amigo pessoal do José de Guimarães pediu-lhe autorização para o reproduzir no rótulo. Fizemos esta marca porque é um nome curto, fácil para chineses ou ingleses e também é um conceito universal porque a Mona Lisa é conhecida em qualquer parte do mundo. O 'Lisa' foi ideia do meu pai, primeiro tentámos registar 'Mona Lisa' e não foi possível. Registámos então 'Lisa'. 'Mona' significa 'senhora' e portanto não tinha tanta importância ser apenas 'Lisa'. Acabou por ser óptimo porque existem muitas mulheres no mundo que se chamam Lisa, especialmente nos Estados Unidos, e cá também as temos, e então é simpático.'

O enólogo da Quinta de Catralvos é Luís Miguel Oliveira e Silva, 33 anos, formou-se em Portugal e fez pós-graduações em França.Teve também algumas experiências em adegas no Alentejo. 'O Luís Miguel está connosco desde o início. Começou connosco a tempo inteiro, mas com assessoria de um enólogo francês, Stéphane Bourret, que dava apoio a várias adegas. Bourret estava em Bordéus e vinha quatro vezes por ano a Portugal para definir lotes e fazer a criação dos vinhos. Esse momento foi muito importante para o Luís Miguel e penso que foi aí que ele criou a maneira de trabalhar própria dentro da nossa adega e criou os blends, no fundo as misturas das castas.'
As castas da Quinta são brancas e tintas. Nas brancas existe Arinto, Moscatel e Fernão Pires. Nas tintas escolheram Castelão, Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon. Em Catralvos propriamente dita, é possível encontrar plantadas a Castelão e as castas brancas enquanto no Monte da Charca, em Pegões, uma outra propriedade da Sociedade Agrícola Casa do Tojo, só se encontram castas tintas.

'Este ano ainda teremos dois lançamentos importantíssimos: 'Marquês do Lavradio', um reserva que está maravilhoso e, mais tarde, 'Cinco Mil Botelhas', o nosso vinho de topo, que começámos a fazer muito rigorosamente na vinha, com selecção dos talhões, poda em cacho, etc. Deste vinho são feitas cinco mil garrafas numeradas de um monocasta ou de um bi-casta.Nós produzimos este vinho apenas em anos em que temos uma ou duas castas que saíram fabulosas. No mesmo ano, se for possível, teremos dois 'Cinco Mil Botelhas', um de uma casta e outro de outra. Tudo depende da avaliação do vinho. As colheitas são de 2003, tanto para o 'Marquês do Lavradio' como para 'Cinco Mil Botelhas' que, este ano, será um Touriga Nacional com Syrah.' 
Os vinhos da Quinta de Catralvos em comercialização neste momento são: Serra d'Arrábida 2004, branco e tinto, o Catralvos 2003, branco e tinto, Lisa 2004, branco e tinto, Monte da Charca 2004, branco e tinto (Medalha de Ouro CVR Península de Setúbal), Vinhócopo 2004 branco e tinto, para além de um rosé, Lisa 2004.
COMO A FAMÍLIA BEATRIZ SE TORNOU PRODUTORA DE VINHOS
Em 1986 foi a escritura de aquisição da Quinta que foi comprada em 1984. 'Passávamos férias em Sesimbra e a vila começou a ficar muito cheia de pessoas. Vendemos um apartamento que tínhamos lá e o meu pai resolveu aplicar aquele dinheiro na compra da propriedade na zona de Azeitão. A Quinta tinha uma vinha e a 'desgraça' foi essa. O meu pai começou a fazer a reconversão da vinha, a arrancar vinha velha e plantar vinha nova. Tudo começou com o meu pai que é engenheiro civil e sempre foi empresário da construção. O campo tem um poder: faz com que a pessoa comece a vivê-lo muito, depois vem o entusiasmo da vinha, das uvas e a preocupação se chove ou não, tudo requere um acompanhamento e isso agarra. O meu pai começou a vender o vinho às adegas da zona e depois a pensar em investir para termos o nosso vinho. Em 2002 acabou a construção da adega, foi o primeiro investimento efectuado no projecto e só depois surgiram os investimentos na área do enoturismo. Acabámos por vender a empresa que tínhamos na área da construção civil e investir na Quinta. Criámos postos de trabalho e é louvável da parte do meu pai ter pensado, numa altura em que se poderia reformar, ter criado ainda uma ocupação para a família.'
O QUE FAZER
Dado que a Quinta de Catralvos reúne uma série de componentes que fazem dela uma atracção em si muito completa, sugerimos as seguintes ofertas no local: cursos de cozinha de 2, 3 ou 4 dias, com alojamento na Quinta de Catralvos, incluindo a refeição preparada durante o curso e o pequeno-almoço, preços de 350 a 850 Euros, dependendo do curso. Alguns temas dos cursos de cozinha com o Chefe Luís Baena, programados entre Março e Outubro de 2006, são: Chocolate e Confeitaria; Cozinha do sol - Bacia do Mediterrâneo; Os Incontornáveis da Pastelaria Europeia ou da Doçaria Conventual; Sobremesas Empratadas; Legumes, Legumes e Legumes; Gelados, Sorvetes e Parfaits; Fumados a Quente e a Frio; Cozinha do Sudeste Asiático; Terrinas e Charcutaria e Tendências e Cozinha de Fusão.Existe também a possibilidade de escolher cursos de duas horas, com preços de 50 a 75 Euros. Podem também ser requisitadas visitas à adega.
COMO CHEGAR
Seguir em direcção a Azeitão pela Nacional 10, se for pela ponte 25 de Abril, e pela A2 se for pela Ponte Vasco da Gama, saindo no Montijo em direcção a Azeitão também. Antes de chegar a Sesimbra verá uma localidade Piedade, não muda de direcção e 200 metros depois tem a Quinta de Catralvos.